"Em busca de mundos invisíveis a todos os outros, as pernas da irmã andavam sozinhas de noite, enquanto a barriga de Maria não se escondia mais em blusas pretas largas. O rosto redondo não se escondia nas desculpas de excesso de rabanada. Os mundos cresciam.”

Em um tempo para além do tempo histórico, em que estão presentes o WhatsApp e o surgimento da máquina de escrever, a impressora de roupas e o centenário de Cindy Sherman, elementos da narrativa se repetem e se reinventam, estabelecendo novos significados. Há muitos rostos para a violência, mas também para as menores coisas: o vento, um bebê, os fósforos que faltam em uma mão e sobram em outra.

Em Guernica, recortes da vida de Maria e Luiza,

mãe e filha, acompanham a história de Luiza

do nascimento até a idade adulta, em seus impulsos

de vida e de morte. Em um almoço de família, no despertar de um pós-operatório ou no desembarque aéreo durante um combate, um mundo intenso de decisões se desenvolve a partir de cenas mínimas.

 

Imitando as palavras de Rubem Braga sobre Graciliano, Guernica foi pensada como uma novela desmontável, em que os capítulos podem ser lidos em ordens diferentes da sugerida pela autora.

 

Aprofundando as ideias de fragmentação,

fractalidade e a inspiração na representação cubista,

a narrativa do impresso se amplia no meio digital. Em guernicaexpandida.tumblr.com, o leitor pode recriar

o sentido da narrativa, encontrando, por exemplo,

a continuação de algumas cenas, representações de pinturas e fotografias que se escondem na narrativa,  músicas que os personagens ouviam em determinado trecho, uma receita de comida mencionada no livro.

moemavilela no gmail.com

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